As Above, So Below (Assim na Terra Como no Inferno) | Arquivos

Um daqueles filmes que ninguém acredita ou quer assistir, mas que surpreende do começo ao fim…

Scarlett (Perdita Weeks)

As Above, So Below ou Assim na Terra como no Inferno (infelizmente… Brasil, neh…) é um filme do gênero terror com fortes elementos aventurescos. Escrito e dirigido por John Erick Dowdle, o filme no estilo found footage narra a aventura e o pesadelo que a arqueóloga Scarlett (Perdita Weeks) e seus amigos, guiados por uma “equipe”, encontram ao adentrar as Catacumbas de Paris, em busca de um milenar tesouro da alquimia.

Esse filme foi completamente esquecido e/ou não é conhecido pela maioria das pessoas. Acredito que isso seja culpa do marketing do filme. Ao ler o título “Assim na Terra como no Inferno”, certamente você já imagina: “Ótimo, apenas mais um terror adolescente cliché…” Não! Também achei isso, fui assistir com uma expectativa quase inexistente e percebi que, na verdade, trata-se de um filme interessante e que desenvolve bem todos os pontos a que se propõe e surpreende do começo ao fim.

Ao seguir os passos de seu finado pai, Scarlett descobre no Irã uma pista muito importante para encontrar um tesouro milenar da alquimia: a Pedra Filosofal, o qual estava atrás há anos. Com a ajuda do antigo amigo George (Bem Feldman), o documentarista Benji (Edwin Hodge) e uma pseudo-equipe de escavação e exploração, lideradas por um jovem conhecido como Papillon (François Civil), Scarlett irá adentrar os escuros túneis das Catacumbas de Paris em busca de uma região não explorada a qual pode conter a maior criação (ou apenas a resposta de sua não-existência) de Nicolas Flamel.

Pistas e mais pistas…

Sim, é um filme do gênero terror no estilo found footage… Com certeza você já viu em outros filmes a maioria das técnicas de filmagem, efeitos e toda a movimentação de câmera em momentos de tensão presentes aqui. Nada em relação ao terror e sustos do filme é novo, porém isso não o desmerece. Há, de fato, alguns clichés e jump scares… mas são poucos e se encaixam perfeitamente com a trama. O ponto forte do filme é o terror psicológico somado a claustrofobia, que se agravam com acontecimentos sobrenaturais a medida que eles penetram nas Catacumbas.

Como exemplo (sem spoilers) e para também elogiar a atuação de Edwin Hodge, como Benji, olha só essa cena:

Se você buscar por resenhas desse filme, o verá muito negativado. Acredito que isso se deve ao fato do filme explorar e basear seu enredo em “Inferno”, primeira parte do poema épico escrito por Dante Alighieri no século XIV, e mais tarde retratado na obra “Inferno de Dante”, por Botticelli. No poema, o inferno (pelo menos sua ideia medieval) é descrito com nove círculos de sofrimento localizados dentro da Terra.

Essa é, basicamente falando, a ideia do filme e a relação das histórias dos personagens com os diferentes círculos de punição. Não é apenas um filme de terror, ele fala sobre culpa e redenção. Qualquer coisa além disso será um spoiler… :v

Inferno de Dante, por Botticelli

Um fato curioso desse filme é que a Scarlett É a Lara Croft, a Tomb Raider… sério mesmo. Uma novata na arqueologia, filha de um grande pesquisador que morreu de forma misteriosa atrás de pistas. Ela se mostra durona e a líder da equipe toda, porém ainda possui medo e está sempre aprendendo. Para os fãs de #TombRaider: ELA É A LARA CROFT!!!

Scarlett Croft

É bizarro como um filme bom ficou completamente desconhecido. Uma busca milenar arqueológica, uma excelente atuação dos jovens em completo desespero, um roteiro bem trabalhado com bom desenvolvimento dos personagens, uma direção ok (deixou passar alguns detalhes… mas foi boa), a ambientação escura e macabra que contribui para o clima pesado e terror psicológico do filme…  A combinação de tudo isso faz desse filme, de apenas U$ 5 milhões de orçamento total, um dos melhores de 2015 e, talvez, do gênero.