O Matador e a Crucificação do Cinema Nacional

Antes de qualquer coisa, não escrevo como um “crítico”, ou considero que isso aqui realmente importa para alguém. Escrevo como alguém que curte muito cinema, a ponto de criar um site e podcast onde falamos muito sobre filmes e séries. Mas, o mais importante é: escrevo como alguém que ama histórias de Faroeste.

O Matador é o primeiro filme brasileiro da Netflix. Ele foi escrito e dirigido por Marcelo Galvão, contou com alguns produtores “da gringa” e foi lançado dia 10 de Novembro deste ano. Mas, por que raios estou escrevendo sobre ele?

Assistiu esse trailer? Quando foi lançado ele gerou um hype bem grande. Principalmente por ser uma produção Netflix, o que já significava uma “confiança de qualidade”; e também por ser um Western no sertão brasileiro. Que ideia fantástica! São pouquíssimas as pessoas que nunca assistiram algum filme do Velho Oeste. Aqueles com anti-heróis fazendo o possível para sobreviver no oeste em expansão dos EUA no sec. XIX. Enfim. por que não contar uma dessas histórias em nossoVelho Oeste?

O Matador conta a história de Cabeleira (Diogo Morgado), um homem que cresceu na violência e superou as dificuldades do sertão, com a ajuda do homem que o salvou quando bebê, ensinou tudo que sabia e desapareceu sem deixar explicações: Sete Orelhas. Ao se encontrar sozinho depois de muito tempo, Cabeleira decide atravessar o sertão até a cidade mais próxima, a procura de seu amigo e “figura paterna”. Lá, encontra uma sociedade quebrada e controlada pelos mais poderosos, onde a lei está na habilidade do gatilho e na velocidade dos cavalos.

Como alguém que não possui nada e que tem que “dar um jeito” de sobreviver, Cabeleira se entrega à esse sistema e se torna o maior matador conhecido do sertão pernambucano.

Não estou escrevendo isso aqui para fazer uma review (mesmo fazendo…). Escrevo para levantar um questionamento: estamos crucificando filmes nacionais, apenas por serem nacionais? O Matador dividiu algumas opiniões, principalmente entre sites famosos em que a crítica é “respeitada” e o público geral, que acabou curtindo o filme. Eu? Eu gostei e vou explicar o porquê:

1 – Tem seus defeitos, mas as qualidades fazem “valer a pena”

O filme tem seus defeitos, é claro. O principal defeito do filme inteiro deve ser a repentina ida e vinda de personagens que, às vezes, quebram um pouco do ritmo e não nos permitem realmente nos ligar a eles. Porém, apesar disso, o filme possui sim uma história bacana e seus personagens são tão cativantes que sustentam (e bem) a trama até o final.

Existiram algumas críticas também quanto aos acontecimentos repentinos e “cortes rápidos” que o filme possui, mas um usuário do IMDB me explicou isso com uma frase excelente e que vou colar aqui: “se fosse um filme do Tarantino, seria considerado genial”.

 

2 – Um grande passo para o cinema nacional

Uma coisa inegável para quem assistiu (gostando ou não), é que a produção do filme é excelente. Atuação, cenários, fotografia e coreografia. Essa mistura de sertão com velho oeste foi tão bem ambientada e caracterizada nas atitudes das pessoas e personagens principais que contribuiu muito para o desenrolar da história e para o quanto tudo ali é “maneiro”, com direito a personagens badasses ao melhor estilo Clint Eastwood.

O cinema brasileiro carece de um dos gêneros que mais chama a atenção das pessoas do mundo inteiro: ação. São poucas as produções que realmente chamam a atenção e se tornam conhecidas até em outros países, Tropa de Elite é um excelente exemplo.

Digo aqui que O Matador é um bom filme e, mesmo que não se torne o sucesso que Tropa de Elite foi, ele é responsável por “subir a barra” de qualidade de produção. Filmes como esse, Bingo, Tropa de Elite e outros, são responsáveis por elevar aos poucos a qualidade mínima aceitável que um filme nacional deve ter. São responsáveis por quebrar aos poucos aquele preconceito que temos com o cinema nacional.

Se você é um daqueles que cresceu lendo histórias ou assistindo filmes do Velho Oeste, esse filme é obrigatório. Não só por ser legal, mas por abraçar nossa cultura e tradição, transformando histórias que sempre foram contadas em livros didáticos ou novelas, em poderosos filmes de ação.

Mas, o principal de tudo: gostei desse filme porque ele é bom, e pronto.