A Autópsia de Jane Doe | Review

Como transformar uma comum noite de trabalho já perturbador em um grande pesadelo.

A Autópsia, que teve um lançamento um tanto confuso aqui no Brasil, é um filme do gênero terror, dirigido por André Øvredal, que mostra os desafios enfrentados por um homem e seu filho durante uma misteriosa autópsia. Resta a eles compreenderem o porquê daquela suspeita paciente desencadear uma série de eventos sobrenaturais.

Há diversos pontos a elogiar nesse filme… começando pelo seu roteiro e edição. Durante todo o filme, você acompanha a autópsia que está sendo realizada, em uma espécie de clínica, com apenas dois personagens: pai e filho. O roteiro da trama é muito bom… apenas dois personagens constantes e um ambiente claustrofóbico são suficientes e bem desenvolvidos para entreter e não deixar a trama “se perder”.

A edição do filme também é boa. Em momentos e cenas aterrorizantes, acontecem confusões que são justificadas pela sanidade dos personagens… Essas cenas acabam enganando a quem assiste também! Durante todo o filme, você acaba se conectando com os dois personagens principais e, por eles serem nossos olhos e ouvidos, é difícil nos distanciar ou duvidar de suas atitudes ou certezas.

Figura 2: Emile Hirsch

Os elementos e “monstros” responsáveis por causar medo são, também, bem utilizados. Seguindo princípios “a lá” Lovecraft, você nunca entende totalmente o que está acontecendo ou do que estão fugindo. Apenas um som, passos pesados, uma respiração, luzes que se apagam…. tudo isso, somado, causa um terror psicológico tão bem construído que não são necessários jumpscares nesse filme (embora existam).

Claro que o filme possui alguns defeitos, principalmente relacionados ao desfecho de uma situação, que não vou entrar em detalhes para não entregar spoilers… mas toda a história é muito bem montada e com uma justificativa final válida. É um excelente filme, recomendo. Isso se você aguentar as cenas de cortes, sangue e órgãos expostos da autópsia. 🙂